Entrar no Amor através das feridas

Entrar no Amor através das feridas

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Ao tocar as chagas de Jesus, experimentamos seu amor e a necessidade de viver somente para Ele.

Sempre me chamou a atenção o fato de Jesus mostrar suas feridas para ser reconhecido. Ele poderia ter feito milagres, ao invés disso. Mas mostrou-se humano. Mostrou-se como o crucificado.
 
A ferida de Jesus e a ferida de Tomé se encontraram. Tomé tocou, hesitante, a ferida de Jesus. Como bem expressa o famoso quadro de Caravaggio, Jesus teria pego a mão de Tomé e a aproximado da sua ferida: “Traz tua mão”.
 
Porque Tomé tinha medo. Tinha um infinito respeito. Ele se lembraria da sua falta de fé. Ele tinha duvidado. Não tinha acreditado nos seus irmãos. Não tinha acreditado no amor de Deus.
 
Mas agora ele podia tocar esta ferida sagrada. Não o fazia voluntariamente: sentiria a mão de Jesus sobre a sua, aproximando-a do corpo do Senhor. Que mistério! Sua mão fraca e pecadora tocando o corpo sagrado de Cristo. Essa ferida santa, aberta, ressuscitada. Essa ferida que é a fonte da vida. Um dom. Tomé pôde entrar em no coração ferido de Deus.
 
Tudo isso me faz lembrar das palavras que Dom César Franco pronunciou no dia da minha ordenação sacerdotal: “No coração de Cristo, aberto, você não verá agora a glória de Deus, mas vai escutar o coração de Deus bater, a força de Deus, o amor infinito de Deus. Se você prometer a Deus todos os dias da sua vida que, ainda sendo fraco, pecador, homem, submetido à tentação e às provações, vai entrar aí, no coração de Cristo, na ferida de Cristo, então você contemplará sempre a glória do Senhor. Você só poderá viver nele e a partir dele. E só poderá acompanhar as pessoas na medida em que estiver junto dele”.
 
Tomé pôde tocar a ferida de Jesus. Entrar em seu coração partido. Mergulhar na fenda da rocha a partir da qual poderia escutar Deus. E Tomé recebeu muito mais do que esperava. O amor transbordou na ferida de Jesus, em sua misericórdia.
 
O apóstolo, invadido pela gratuidade de Deus, choraria no mais profundo da alma. Ele tinha duvidado, tinha desconfiado de Deus e dos seus irmãos e, como prêmio, recebia o dom de tocar o mais sagrado, a ferida aberta de Jesus. Tomé pôde descansar dentro da ferida de Jesus naquele momento.
 
Quantas vezes, ao longo da vida, ele deve ter voltado a esse momento de gratuidade! Quantas vezes voltaria a sentir em seu coração esse amor imenso que Deus tinha por ele!
 
Sim, Jesus amava Tomé profundamente. E por isso lhe permitiu tocar o mais profundo do seu corpo, o lado aberto do qual brotava a vida, essa ferida de Cristo repleta de sofrimento e dor. Essa ferida ressuscitada.

 

 

Pe. Carlos Padilla

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