Homilia de Dom Pedro Fedalto – Missa de corpo presente de Dom Moacyr Vitti

Homilia de Dom Pedro Fedalto – Missa de corpo presente de Dom Moacyr Vitti

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A vida humana deve ser considerada sempre como um dom de Deus Pai.


A Bíblia mostra-nos que a existência tem sua origem de Deus Pai.

IMG_4201_destFoi assim que a Igreja  Católica nos ensina na profissão da fé que o cristão faz  desde o momento de seu batizado. Quando é batizado como criança, a fé é dos pais e padrinhos. São eles que a transmitem a seus filhos e afilhados. A fé cresce no cristão na medida em que encontra suporte que deve durar por toda a vida até a morte. Por isso o cristão sente-se seguro nas mãos de Deus e aguarda a morte de modo sereno, crendo que o fim de sua vida mortal não é uma desgraça, um aniquilamento.

É com a fé em Deus criador que o cristão espera,  depois de ter assim vivido, uma recompensa feliz junto de Deus Pai que  o criou, de Deus Filho que deu sua vida numa oblação total, infinita para o resgate dos pecados cometidos na fraqueza humana e na santificação e salvação por obra do Espírito Santo.

A morte não é uma desgraça, uma destruição do ser humano.
É o que ouvimos na primeira leitura do livro da Sabedoria.

Assim foi a vida de Dom Moacyr José Vitti, desde seu batismo, recebendo a fé de seus pais João Vitti e Sofia, cristãos conscientes. Sua fé cresceu ao ser crismado, confirmado no  dom do Espírito Santo.

A vida eucarística foi seu alimento espiritual no crescimento da fé.

  Em sua adolescência,  sentiu que Deus o chamou para  sua  doação na vida religiosa.  Ainda jovem consagrou-se ao Senhor Deus, sendo um verdadeiro discípulo do Senhor, nos conselhos evangélicos de obediência, pobreza e castidade, imitando de perto São Gaspar Bertoni, como religioso estigmatino. Seguindo o Senhor com todo o espírito de fé, tornou-se presbítero,  entendendo o sacerdócio como uma graça divina e não uma promoção humana, social.

Durante seus anos de presbítero, procurou viver o que São Paulo escreveu aos Coríntios: “Eis  que vos dou a conhecer um mistério: num instante ao fechar e abrir os olhos ao som da trombeta final, seremos transformados, ressurgindo incorruptíveis”.
Foi o que aconteceu com Dom Moacyr José Vitti, há dois dias. Seu corpo corruptível revestiu-se da imortalidade, da incorruptibilidade para ressuscitar, tornando-se semelhante a Cristo.

A graça de Deus cresceu ainda mais, sendo eleito Bispo.

O sucessor dos Apóstolos torna-se ainda mais discípulo de Cristo para ensinar, como mestre fidelíssimo à Palavra divina.
Ao mesmo tempo, é pontífice para ser o mediador entre Deus e os homens. A isto vem o acréscimo da caridade pastoral, como bom Pastor.
Assim agiu Dom Moacyr por mais de vinte e cinco anos  como Bispo na maior parte na Igreja Particular de Curitiba. Por isso, todos da Igreja Particular de Curitiba devem render graças a Deus pelo Pastor que o Senhor lhes deu.

Quero ser o primeiro, para agradecer a Dom Moacyr tudo o que realizou na Arquidiocese, como meu Bispo Auxiliar por quatorze anos e meio e meu sucessor, durante dez anos.

Quando foi nomeado Bispo Auxiliar em 1987 e ordenado, a 03 de janeiro de 1988, a Arquidiocese de Curitiba iniciava o Sínodo  Arquidiocesano.
Dom Moacyr coordenou durante sete anos todas as reflexões, debates, votações, com seu lema: “Um só Coração” para a unidade dos Arquidiocesanos  de Curitiba, com mais de um milhão de respostas às consultas feitas.

Do Sínodo de Curitiba, canta-se até hoje o hino em todo o Brasil: “É tempo de ser Igreja, caminhar juntos e participar”.
Dom Moacyr foi o Bispo responsável das periferias de Curitiba com muitas paróquias, associações e movimentos católicos.

Frequentemente, aparecia seu nome em listas tríplices para esta ou aquela Diocese. Consultado, insistia com o Núncio Apostólico que  deixasse Dom Moacyr em Curitiba, porque é mais fácil encontrar um Bispo diocesano do que um Auxiliar que caminha junto com  seu Bispo diocesano.
Um Bispo Auxiliar não pode ser clone do seu Bispo, mas também não tenha a pretensão de  ter uma linha própria independente.
Por trinta e três anos, esforcei-me para caminhar junto com meus seis Bispos Auxiliares.

Para isto, mensalmente nos reuníamos para acertar os passos. Caminhei sempre bem com Dom Moacyr, um Auxiliar colaborador e sobretudo amigo.
Quando se tornou Arcebispo de Curitiba, disse-lhe logo após a posse, querendo que fosse seu Vigário Geral e residisse na mesma casa. Minha  resposta foi: vou respeitá-lo em tudo, não vou interferir em nada. Quero  que o Sr. tenha plena liberdade na administração da Arquidiocese. Foi assim que aconteceu. Nós nos respeitamos mutuamente até sua morte. Sempre atendia a seus pedidos e era frequentemente convidado a almoçar no Arcebispado, quando promovia uma confraternização sacerdotal.

Ainda na quarta feira, antes da morte, ofereci-me para almoçar com ele e pedir um depoimento sobre o Regional Sul II, uma vez que viveu 24 anos na Arquidiocese e foi Presidente do Regional  Sul II de 2007 a 2011. Foi ele consultado para completar suas atividades pastorais em Curitiba. Sua resposta  foi: “Está ótimo. Não tem o que acrescentar.”

Senti tanto sua morte, como suas irmãs, irmãos, familiares e milhares de Arquidiocesanos.

Para concluir, recordo o Evangelho da missa de hoje: Dom Moacyr morreu com a lâmpada acesa de sua fé e bem vigilante, quando o Senhor Deus o chamou, como os servos esperam a chegada de seu chefe. Dom Moacyr partiu desta vida preparado, porque Cristo o encontrou pronto para partir, depois de realizar três planos de pastoral, criar 11 paróquias, inclusive a de Nossa Senhora da Ternura para os portadores de necessidades especiais, ordenando Pe. Wilson Czaia, surdo, e a de Cristo Redentor para os dependentes químicos.  Instituiu o Ano Vocacional, aprovou as Diretrizes para a formação dos seminaristas, com suas visitas mensais aos seminários arquidiocesanos, reabrindo o Seminário Propedêutico, chegando a ordenar mais de 40 presbíteros.

Reabriu a escola diaconal, recebendo candidatos de diversas dioceses do Paraná e Santa Catarina. Fundou a Pastoral Presbiteral, o Conselho de Ordens e  Ministérios, a Pastoral da Pessoa Idosa, da AIDS,  doze  comissões pastorais, o Centro Pastoral e  de Administração, o site da Arquidiocese. Adquiriu o Convento das Irmãs Sacramentinas, onde funciona o Seminário Propedêutico, o prédio do Centro de Pastoral, mais uma área de terreno, ao lado da capela e refeitório da Casa Nossa Senhora do Mossunguê para encontros pastorais e retiros.

Dom Moacyr esteja para sempre com Jesus para interceder por  nós todos: seus familiares e pelos arquidiocesanos de Curitiba e diocesanos de Piracicaba, sua terra natal.

A Virgem Maria da Luz certamente  o acolheu, como mãe carinhosa e o apresentou a Jesus para uma eternidade plena de alegria, paz e felicidade.

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