A posição das mãos na Oração do Senhor

A posição das mãos na Oração do Senhor

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NOVICIADO (6)

O ser humano sempre utilizou da expressão corporal para se comunicar e exprimir seus sentimentos. A bíblia e a liturgia através dos tempos nos apresentam uma gama de posições do corpo e significados

Em especial, neste artigo, trataremos especificamente da posição das mãos na oração do Pai-Nosso dentro da celebração eucarística e a herança herdada pela Iconografia.

O levantar as mãos para a oração, já era um ato aconselhado por Paulo a Timóteo: “Quero pois, que os homens orem em qualquer lugar, levantando ao céu as mãos puras, sem iras e sem contendas” (1Tm 2,8). O erguer as mãos parece que é pacífico nas comunidades, porém, o jeito de elas permanecerem durante a oração traz algumas dúvidas e divergências. Qual seria a posição correta, ou a posição que melhor expressasse tão rica oração?

A Instrução Geral do Missal Romano e a liturgia, em si, não especificam ou não determinam essa maneira, mas diz somente que “o sacerdote profere o convite, todos os fiéis recitam a oração com o sacerdote, e o sacerdote acrescenta sozinho o embolismo que o povo encerra com a doxologia” (n. 81).

Sendo assim, a posição das mãos durante a oração do Senhor é bem livre e cada um, à sua maneira, expressa e lhe atribui um significado. Porém, estudando e pesquisando um pouco mais, pode-se recorrer à iconografia como uma das mais importantes fontes de linguagem simbólica comum de nossa fé. Diz que se escreve um Ícone, dado o tamanho de simbolismo e catequese presente em uma dessas imagens. De modo particular as mãos recebem uma atenção.           

Na época em que os ícones eram bem mais explorados, tinha-se entre os observadores uma linguagem comum, ou seja, ao olhar determinada posição de mão, cores e olhar, se sabia que mensagem o autor queria transmitir. Como, por exemplo, quando olhamos um ícone do Cristo Pantocrator em que ele está com o braço direito erguido e com a mão em atitude de bênção (à maneira grega), ou seja três dedos fechados e somente dois dedos erguidos, que significa entre outras coisas que ele está falando. Ou a imagem de um Bispo, com o braço nesta mesma posição, simboliza que ele está abençoando e, ainda, se for um mártir, quer significar que ele está professando a fé.

Ao falarmos da posição das mãos na oração do Pai-nosso, recorremos aos ícones em posição “orante”, onde a imagem se encontra com as mãos voltadas para o alto e em posição frontal. Querendo dizer que quando rezamos nos colocamos na presença do Senhor da maneira que somos com nossas limitações e virtudes. Diante de Deus não se pode esconder, não se pode usar máscaras e as palmas das mãos abertas, em posição frontal, expõe nossa identidade representada pelas nossas impressões digitais, é a parte mais sensível de nossa mão. Ou seja, somos únicos diante de Deus nesse momento.  As mãos abertas, além de expor nossa identidade, representam que estamos de mãos vazias, desarmados, e abertos para acolher o Senhor que vem ao nosso encontro.

Portanto, não importa a posição de nossas mãos, desde que elas tenham um sentido para nós. E que, ao rezarmos a oração do Senhor, principalmente na celebração eucarística, possamos fazer essa experiência apresentada pelos ícones, de nos apresentarmos diante de Deus tal qual somos, deixando Ele agir e se manifestar em cada um de nós.

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