Notícias do Vaticano, 22/11/2013

Notícias do Vaticano, 22/11/2013

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“Nós acreditamos na Ressurreição e claramente acreditamos que o mundo pode mudar, pode ressurgir, porque Cristo ressuscitou e estou convencido de que não existe outra boa notícia maior do que Jesus Cristo. Dostoevskij, após a dura experiência na prisão, escreveu a uma amiga onde dizia: ‘Eu tive a experiência da dúvida, mas no final cheguei à conclusão que não existe nada de mais bonito, de mais perfeito, de mais razoável que Jesus Cristo”. 

Papa e Santa Sé

  • Papa na Santa Marta: No templo não celebramos um rito, mas adoramos a Deus
  • Papa recebe jogadores de rugby da Argentina e Itália: o importante é não correr sozinhos
  • Papa recebe primeiro-ministro da Bósnia-Herzegóvina
  • Francisco: “Em algumas economias, solidariedade é ‘palavrão’”
  • Os telefonemas e cartas de Francisco
  • Lançado 6° volume da ‘Opera omnia’ de Bento XVI, que reúne a trilogia de ‘Jesus de Nazaré’
  • L’Osservatore Romano publicou amplo dossiê sobre as relíquias de São Pedro a serem expostas pela primeira vez no domingo
  • 22 de novembro
  • Cardeal Ravasi defende comunicação mais clara e transparente na Igreja
  • Card. Comastri: “O Papa extirpará os ramos secos da Igreja”

Igreja no Brasil

  • Migrantes guatemaltecos sofrem humilhações no México
  • Em SP, peregrinação e missa encerram Ano da Fé
  • Igreja no Brasil celebra o Dia Nacional dos Leigos

Igreja na América Latina

  • México: apelo contra a violência
  • Venezuela: “Anunciar o Evangelho num ambiente multicultural”. Está próxima abertura do CAM 4 e do COMLA 9 na Venezuela

Igreja no Mundo

  • Cardeal Maradiaga: “O desenvolvimento deve ser humano e sustentável”
  • Inglaterra: Arcebispo de Cantuária comenta decisão do Sínodo que abre caminho para ordenação episcopal feminina
  • Seminário internacional debaterá perseguições religiosas
  • Crise em Moçambique preocupa Bispos da África Austral

Formação

  • Encerrando o Ano da Fé
  • Jornalista Vital e o Papa Francisco

Atualidades

  • Nova Iorque: José Graziano inaugura Ano da Agricultura Familiar
  • Filipinas: ainda grave a emergência
  • Acolher o outro: líderes religiosos mundiais reunidos em Viena

 

Papa e Santa Sé

 

Papa na Santa Marta: No templo não celebramos um rito, mas adoramos a Deus

Cidade do Vaticano (RV) – O templo é um lugar sagrado onde o que é mais importante não é o rito, mas a “adoração ao Senhor”. Foi o que afirmou o Papa Francisco na homilia celebrada esta manhã na Casa Santa Marta. O Papa ressaltou que o ser humano, enquanto “templo do Espírito Santo”, é chamado a ouvir Deus dentro de si, a pedir-Lhe perdão e a segui-Lo.

Para a sua homilia, o Papa se inspirou no trecho litúrgico do Antigo Testamento, em que Judas Macabeu reconsagra o Templo destruído pelas guerras. “O Templo – observou o Pontífice – é o ponto de referência da comunidade, do povo de Deus”, para onde nos dirigimos por vários motivos, mas um deles em particular:

O Templo é o local onde a comunidade vai rezar, louvar o Senhor, dar graças, mas sobretudo adorar: no Templo se adora o Senhor. E este é o ponto mais importante. Isso é válido também para as cerimônias litúrgicas: o que é mais importante? Os cantos, os ritos? O mais importante é a adoração: toda a comunidade reunida olha para o altar, onde se celebra o sacrifício, e adora. Mas, eu creio – humildemente o digo – que nós cristãos talvez tenhamos perdido um pouco o sentido da adoração.

O Papa então se pergunta: “Os nossos templos são locais de adoração, a favorecem? E as nossas celebrações?”. Citando o Evangelho de hoje, Francisco recordou que Jesus expulsa os vendedores que usavam o Templo como um local de negócios, mais do que para a adoração.

Mas há outro “Templo” e outra sacralidade a considerar na vida de fé:

São Paulo nos diz que nós somos templos do Espírito Santo. Eu sou um templo. O Espírito de Deus está em mim. Neste caso, talvez não podemos falar de adoração como antes, mas de uma espécie de adoração que é o coração que busca o Espírito do Senhor dentro de si, e sabe que Deus está ali, que o Espírito Santo está dentro de si. Ele O ouve e o segue.

Certamente, a sequela de Deus pressupõe uma contínua purificação, “porque somos pecadores”, reiterou o Papa Francisco, que insistiu: “Purificar-nos com a oração, com a penitência, com o Sacramento da reconciliação, com a Eucaristia”. E assim, “nesses dois templos – o templo material, o local de adoração, e o templo espiritual dentro de mim, onde habita o Espirito Santo – a nossa atitude deve ser a piedade que adora e escuta, que reza e pede perdão, que louva o Senhor”:

E quando se fala da alegria do Templo, se fala disso: toda a comunidade em adoração, em oração, em ação de graças, em louvor. Eu na oração com o Senhor, que está dentro de mim porque eu sou ‘templo’. Eu à escuta, disponível. Que o Senhor nos conceda este verdadeiro sentido do Templo, para poder prosseguir na nossa vida de adoração e de escuta da Palavra de Deus.
(BF)

 

Papa recebe jogadores de rugby da Argentina e Itália: o importante é não correr sozinhos

Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta sexta-feira, no Vaticano, as equipes nacionais de rugby da Argentina e Itália, que se confrontarão neste sábado no Estádio Olímpico de Roma.

“O rugby é um esporte muito simpático e digo isso porque o vejo assim”, disse o pontífice expressando-se como alguém que aprecia esta modalidade esportiva.

“É um esporte duro, com muito confronto físico, mas sem violência, com grande lealdade e respeito. Por isso, é útil também para temperar o caráter, a força de vontade. Há depois outro aspecto: o equilíbrio entre o grupo e o indivíduo, com as duas equipes que se confrontam, em grupos compactos que se equilibram. Há também as ações individuais, com corridas rápidas rumo à meta”, frisou o Papa.

“Esta palavra tão bela, tão importante, faz-nos pensar à vida, porque toda a nossa vida tende para uma meta. E esta busca é árdua, exige luta, empenho, mas o importante é não correr sozinhos!”, disse ainda o pontífice.

Fazendo votos, como bispo, de que os atletas presentes concretizem tudo isto na própria vida, fora do campo, o Papa Francisco pediu-lhes para que rezem por ele, para que “também eu, com os meus colaboradores, constituamos uma boa equipe”, concluiu. (JP/MJ)

 

Papa recebe primeiro-ministro da Bósnia-Herzegóvina

Cidade do Vaticano (RV) - O Santo Padre recebeu na manhã desta sexta-feira, no Vaticano, o primeiro-ministro da Bósnia-Herzegóvina, Vjekoslav Bevanda. Após o encontro com o Papa, o premier encontrou-se com o Secretário de Estado, Dom Pietro Parolin, e com o Secretário das Relações com os Estados, Dom Dominique Mamberti.

Segundo uma nota da Sala de Imprensa da Santa Sé, os encontros se realizaram numa atmosfera de cordialidade. Houve uma troca de opiniões sobre a situação atual da nação e sobre os desafios que a crise econômica atual impôs ao país, além dos esforços da Bósnia-Herzegóvina na promoção de uma sociedade cada vez mais aberta, que respeita os direitos de todos os cidadãos.

Foi manifestada satisfação pelas boas relações bilaterais das quais o Acordo de Base de 2006 é uma expressão importante, pois favoreceu a colaboração entre Igreja e Estado para o bem comum e o desenvolvimento do país. Durante o encontro foram abordados temas relativos à aplicação desse acordo, como também a contribuição dos católicos na sociedade. (MJ)

 

Francisco: “Em algumas economias, solidariedade é ‘palavrão’”

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco elogiou as empresas que durante a crise reduziram sua margem de lucro em benefício dos postos de trabalho e criticou as economias nas quais a palavra ‘solidariedade’ é quase um ‘palavrão’.

Em vídeomensagem enviada ao III Festival da Doutrina Social da Igreja, celebrado até domingo em Verona (norte da Itália), o Pontífice apostou nas cooperativas como forma de gestão empresarial e advertiu que deixar de lado os jovens desempregados é “uma hipoteca para o futuro”.

“A Doutrina Social não tolera que os benefícios sejam exclusivamente de quem produz; que a questão social seja delegada ao Estado ou às operações de assistência e voluntariado… É preciso coragem, decisão e a força da fé para estar dentro do mercado, mas colocando no centro a dignidade da pessoa e não o ídolo dinheiro. A solidariedade é uma palavra-chave na Doutrina Social da Igreja”, afirmou Francisco.

O tema do Festival de Verona é “Menos desigualdades, mais diferenças” e evidencia a riqueza da pluralidade das pessoas como expressão de talentos pessoais, tomando distância da homologação que mortifica e cria desigualdade.
(CM)

Os telefonemas e cartas de Francisco

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco continua a surpreender com seus telefonemas e respostas de cartas inesperadas. Nesta semana telefonou para uma professora, para um pai de família e escreveu para uma criança, após ter ficar tocado com o que leu entre as milhares de correspondências que lhe são enviadas de todo o mundo semanalmente.

Uma entre estas tantas cartas, lhe foi enviada há cerca de um mês por Matteo Rinaldi, de 8 anos, da cidade de Foggia, sul da Itália. “Querido Papa Francisco, me chamo Matteo Rinaldi e sou uma criança de 8 anos, de Foggia. Você parece ser um Papa bom e gostaria de conhecer você, abraçar-te, e depois gostaria muito que conhecesses a minha cidade, Foggia”. Matteo, que freqüenta o 3º ano primário do Instituto Vittorino da Feltre, de Foggia, convidou o Papa para visitar os monumentos da sua cidade e sobretudo “comer a boa pizza que eu faço”. E acrescentou “Escute – querido Papa – eu sou um grande torcedor da Roma. E você, para qual time torces?”.

A resposta da Santa Sé não demorou muito. Menos de dez dias após, Matteo recebeu um envelope do Vaticano com as palavras do Santo Padre, que além de abraçá-lo, enviou sua bênção a ele e a sua família. O Papa também matou a curiosidade do garoto, dizendo-lhe que torce pro San Lorenzo, time da Argentina.

Outra criança que tocou o Papa Francisco com as palavras escritas numa carta foi o garoto Marcon, de 7 anos. Em uma carta entregue ao Pontífice por ocasião da visita a Assis, em 4 de outubro, pelos ‘escravos do comércio’ – que não querem passar a vida atrás de um balcão por um salário de miséria -, o garoto reclamou da ausência do pai, obrigado a trabalhar aos domingos: “Não quero crescer com os avós, ver as outras crianças que vão ao parque com os pais e tornar-me adulto sem a presença do pai e da mãe durante as festas”. O Pontífice, segundo relatou ‘A Tribuna de Treviso’, sentiu a necessidade de pegar o telefone e ligar para o pai de Marcon, expoente do “Movimento domingo não, obrigado!”.

Outro telefonema de Francisco que chamou a atenção nesta semana foi aquele feito à Irmã Teresa, religiosa do Instituto Filhas de Sant’Anna, em Casal di Príncipe, pequena cidade de Casertano, pátria do clã da camorra dos ‘casalesi’. A cidade está situada na chamada “Terra dos fogos”, situada entre Nápoles e Caserta, cuja terra está contaminada por lixo tóxico.

Nos meses passados, o Santo Padre havia recebido cartões postais, enviados por 150 mil residentes em Nápoles, Caserta e províncias próximas. Num dos postais, a irmã Teresa deixou uma mensagem pelos meninos que aparecem em fotos no colo de suas mães e o número do seu celular. O Papa Francisco ligou para a religiosa enquanto estava na sala de aula, com as suas crianças, na escola elementar e maternal do Instituto. Inicialmente ela pensou tratar-se uma brincadeira. Após acreditar tratar-se do Papa Francisco, a sala de aula transformou-se numa festa. Todos queriam saudá-lo. Francisco manifestou toda sua preocupação pelas crianças do território. (JE)

Lançado 6° volume da ‘Opera omnia’ de Bento XVI, que reúne a trilogia de ‘Jesus de Nazaré’

Cidade do Vaticano (RV) – A Livraria Editora Vaticana (LEV) prossegue a publicação dos volumes de Joseph Ratzinger inseridos naOpera omnia. Após o volume XI “Teologia da Liturgia” (2010) e o XII “Anunciadores da Palavra e Servidores da vossa alegria” (2013), foi lançado o primeiro dos dois tomos que compõe o sexto volume. Intitula-se “Jesus de Nazaré – A figura e a Mensagem” e apresenta, reunidos, os três volumes sobre Jesus, de Joseph Ratzinger – Papa Bento XVI, publicados em 2007, 2011 e 2012, em “última edição revisada e corrigida”.

O segundo tomo, em fase de tradução, terá ulteriores contribuições de Joseph Ratzinger sobre Cristologia e terá como sub-título “Escritos de Cristologia”.

“Ao assumir na Opera Omnia, os três volumes sobre Jesus de Nazaré, publicados no decorrer do Pontificado do Papa Bento XVI – observa no Prefácio o Arcebispo Gerhard Ludwig Muller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e curador da Opera omnia – deseja-se prestar uma homenagem a esta incansável pesquisa feita por Joseph Ratzinger ao longo do seu manuscrito. Desde há 60 anos os vários temas da Cristologia estão no centro de sua atividade e do seu ensinamento como professor universitário, como Bispo e como Papa”.

“A ordem temporal adotada para elaborar e apresentar os três livros – é especificado nas notas editoriais – não corresponde à efetiva ordem cronológica de sua publicação; segue, isto sim, a cronologia dos Evangelhos. Neste sentido, o livro mais recente, ‘A Infância de Jesus’, é colocado no início deste volume”.

Segue “Do Batismo ao Jordão até a Transfiguração”, e finalmente “Da entrada em Jerusalém até a Ressurreição”. “A trilogia sobre Jesus de Nazaré foi assumida na Opera Omnia de Joseph Ratzinger, embora a publicação de livros individuais tenha ocorrido durante o Pontificado de Bento XVI.

É o próprio autor, no prefácio, que esclarece a motivação por detrás da gênese dos três volumes. “Estes, de modo algum são um ato magisterial, mas unicamente a expressão da minha busca pessoal da ‘face do Senhor’”.”Além disso, é ainda indicado nas notas editoriais, “em relação às edições anteriores do livros da trilogia, todas as citações da Bíblia em italiano foram atualizadas com base na tradução oficial da Conferência Episcopal italiana 2008.”

“Como os seus três livros sobre a figura central da nossa fé – lê-se no Prefácio – Joseph Ratzinger/Bento XVI estimulou um debate duradouro sobre Jesus de Nazaré”.

Em outra passagem, Dom Müller escreve: “Olhando para os seis decênios de intenso aprofundamento espiritual e científico nos âmbitos temáticos da Cristologia, a obra teológica de Joseph Ratzinger revela a continuidade do seu pensamento. Fica evidente, a partir dos seus escritos, a prolongada tratativa com a figura de Jesus, que ele mesmo faz referência no primeiro volume da sua trilogia sobre Jesus de Nazaré em 2007. (…). Ele se opõe com decisão a uma época permeada pelo ceticismo, que não acredita que Deus manifestou-se definitivamente em seu Filho”. “Com a clareza que deriva do ‘creio’ da Igreja – continua Dom Müller – ele desenvolve, a partir de aquisições históricas e das narrativas do Evangelho, uma visão complexa sobre a pessoa de Jesus de Nazaré, tanto convidativa quanto estimulante para ulteriores reflexões”. (JE)

 

L’Osservatore Romano publicou amplo dossiê sobre as relíquias de São Pedro a serem expostas pela primeira vez no domingo

Cidade do Vaticano (RV) – No próximo domingo (24), durante a Missa conclusiva do Ano da Fé presidida pelo Papa Francisco, serão expostas e veneradas as relíquias que segundo a Tradição pertencem ao Apóstolo Pedro. Por ocasião do evento, o L’Osservatore Romano dedicou uma série de artigos sobre o primeiro Papa, reproduzindo também um inédito escrito de Paulo VI sobre São Pedro, que o Instituto Paulo VI de Bréscia havia publicado por ocasião do 50º aniversário da eleição à Cátedra de Pedro de João Batista Montini.

No escrito inédito, Paulo VI, falando sobre a ‘espiritualidade de pastor’ do primeiro Papa escreve: “Pedro é único. Devem ser observados os momentos e os sinais desta distinção, que Cristo lhe confere no Evangelho e nos Atos dos Apóstolos, não para separá-lo, mas sim para inseri-lo melhor entre os outros Apóstolos e na comunidade de seguidores. Esta posição – prossegue Paulo VI – o torna, em sua especial espiritualidade, isto é, na sua relação com o Senhor, sozinho. Solidão de Pedro, somente preenchida por um maior amor a Cristo e por uma tácita e total dedicação à Igreja”.

A riqueza dos artigos sobre São Pedro e as suas relíquias publicados na página do L’Osservatore Romano desta quinta-feira (21), oferece uma síntese do estado de arte sobre o culto a São Pedro no lugar, onde depois, surgiu a Basílica Vaticana, nos seus aspectos quer arqueológicos, quer históricos ou devocionais.

O tema da atribuição das relíquias ao Apóstolo é abordado também nos comentários sobre o último livro de Andrea Carandini, na impostação e no desenvolvimento como uma novidade, em total contra-tendência ao atual panorama dos estudos sobre a questão petrina”. “Sobre esta pedra. Jesus, Pedro e o nascimento da Igreja”, de Carandini, segundo o L’Osservatore Romano, “é um livro libertador, das crostras, das convenções, das polêmicas”. O jornal assinala ainda a dedicatória contida no livro: “A Francisco, Bispo de Roma”, e a subscrição “Quem escreveu este texto é um arqueólogo de Roma, agnóstico”.

Os estudos sobre as relíquias de Pedro estão ligados, como é conhecido, à epigrafista e conhecida historiadora do mundo antigo Margherita Guarducci, falecida em 1999. “Cabeça-dura e decidida – recorda o L’Osservatore – com a sua entrada em cena desconcertou e irritou um ambiente, como o eclesiástico, fechado e ciumento, que nunca a suportou. Mesmo porque soube divulgar com eficiência em livros de sucesso a sua tese, convencida de cumprir uma missão”. (JE)

22 de novembro

Cidade do Vaticano (RV) - O Reino dos Céus é para aqueles que cuja segurança está colocada no amor de Deus, não nas coisas materiais.(Tuíte do Papa Francisco)

 

Cardeal Ravasi defende comunicação mais clara e transparente na Igreja

Cidade do Vaticano (RV) – “É necessária uma reflexão de ordem geral sobre o ‘comunicar na Igreja’”, adotando-se uma linha de maior “clareza e transparência”. Foi o que afirmou o Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, Cardeal Gianfranco Ravasi, numa conferência proferida na manhã desta sexta-feira (22) na ‘Libera Università Maria Santíssima Assunta (LUMSA), em Roma, no encontro “Comunicação e verdade na era do Papa Francisco”. O pronunciamento precedeu a entrega ao Cardeal da láurea ‘honoris causa’ em Ciências da Comunicação.

“Na cultura contemporânea – afirmou Ravasi – existe uma crise da comunicação, pois o excesso de comunicação corre o risco de tornar-se uma negação da comunicação. É necessário, portanto, uma reflexão de ordem geral sobre o comunicar na Igreja, porque existe um capítulo crítico que é necessária coragem para enfrentar”. Referindo-se a alguns acontecimentos “fortes”, vividos recentemente no Vaticano, o Presidente do dicastério vaticano sublinhou que “entricheirar-se em fórmulas de autodefesa resulta contraproducente: melhor adotar clareza e transparência”.

“Os cânones comunicativos adotados por Francisco poderiam ser usados também em uma comunicação leiga”, concluiu o Cardeal Ravasi. (JE)

Card. Comastri: “O Papa extirpará os ramos secos da Igreja”

Cidade do Vaticano (RV) - “A Igreja sempre tem necessidade de reformas e o Papa é um homem decidido, firme e seguramente cortará os ramos secos, disto não se tem dúvidas porque ele o quer, o deseja e é também urgente fazê-lo”. Foi o que afirmou o Cardeal Angelo Comastri, Arcipreste da Basílica de São Pedro e Vigário do Pontífice para a Cidade do Vaticano, que junto com a Livraria Editora Vaticana (LEV) e a Elledici, lançou nesta quinta-feira (21), em Roma, a coletânea de homilias “Uma boa notícia para ti”.

Já se difundiu e também é partilhada a sensação de que, sob o Pontificado do Papa Francisco, as igrejas estão voltando a ficar cheias. Assim o Cardeal Comastri interpreta esta renovada atenção para a mensagem da Igreja: “Nós acreditamos na Ressurreição e claramente acreditamos que o mundo pode mudar, pode ressurgir, porque Cristo ressuscitou e estou convencido de que não existe outra boa notícia maior do que Jesus Cristo. Dostoevskij, após a dura experiência na prisão, escreveu a uma amiga onde dizia: ‘Eu tive a experiência da dúvida, mas no final cheguei à conclusão que não existe nada de mais bonito, de mais perfeito, de mais razoável que Jesus Cristo”. E é o que tanta gente está descobrindo hoje quando se encontra diante do Evangelho conclamado com tanta simplicidade e com tanta transparência, como está fazendo o Papa Francisco”.

Qual é o segredo de Bergoglio? “O Papa Francisco – sublinha Comastri – é o primeiro bispo do ‘Terceiro Mundo’, na história, a tornar-se Papa, então está claro que leva toda a sua simplicidade, humildade, pobreza e também a carga de experiência de um bispo que vem do ‘Terceiro mundo’ é para nós, que vivemos no rico Ocidente, seguramente um grande dom, poder-se-ia falar em uma verdadeira integração”.

Sobre as amplas reformas iniciadas por Francisco, o Cardeal Comastri observou que “A Igreja sempre tem a necessidade de reformas e o Papa é um homem decidido, firme, e seguramente cortará os ramos secos, acrescentando que a reforma da Igreja é um fenômeno constante. Desde quando a Igreja saiu do Cenáculo – explicou – não faz outra coisa que reformar-se, porque somos desproporcionais ao Evangelho, somos todos inferiores ao Evangelho, então é claro que devemos continuamente retomar o passo, e isto significa reformar-se continuamente”. (JE)

 

Igreja no Brasil

 

Migrantes guatemaltecos sofrem humilhações no México

San Cristóbal de Las Casas – O bispo Felipe Arizmendi Esquivel lamentou os maus-tratos sofridos pelos migrantes centro-americanos e diante do Episcopado da Guatemala pediu perdão pelas vexações de que são vítimas.

Dom Felipe comentou sobre o diálogo regional entre América Central, México e Estados Unidos, realizado nos últimos dias. No evento, foi dito que a cada ano, cerca de 200 mil guatemaltecos tentam entrar nos Estados Unidos; destes, 25 mil são deportados por terra e 45 mil por via aérea.

O mais lamentável, prosseguiu o bispo, são os maus-tratos recebidos quando passam pelo México, onde são humilhados, violados e assassinados.

“Pedi publicamente perdão por tantas injustiças cometidas pelo crime organizado, pelos poderosos, pelas autoridades e também pelos cidadãos que os menosprezam”, reiterou.

O recente diálogo foi organizado pela Comissão de Pastoral da Mobilidade Humana da Conferência Episcopal da Guatemala e o Ministério de Relações Exteriores. O tema do encontro foi “O rosto humano da migração: em busca de um caminho para a reunificação familiar”.
(CM)

Em SP, peregrinação e missa encerram Ano da Fé

São Paulo (RV) - A Comunidade Católica Shalom, em parceria com a Arquidiocese de São Paulo, realiza nos dias 23 e 24 de novembro o Simpósio sobre Fé e Missão: “Novas Expressões para uma Nova Evangelização”.

Com palestras baseadas na encíclica “Lumen Fidei”, do Papa Francisco, o evento marcará o encerramento do Ano da Fé na capital paulista. Contará com a presença dos cardeais Dom Odilo Scherer e Dom Cláudio Hummes, respectivamente arcebispo e arcebispo emérito de São Paulo; Dom Tarcício Scaramussa, bispo auxiliar de São Paulo e do fundador da Shalom, Moysés Azevedo.

O objetivo do evento é apresentar a fé católica a partir da experiência de escuta de Deus, que revela ao homem a verdade. Será destacada também a necessidade de os fiéis anunciarem as “razões da fé” que não aliena, mas gera coerência de vida.

No Domingo do Cristo Rei, 24, haverá a peregrinação do laicato à catedral. O cortejo partirá do Mosteiro de São Bento até a Catedral Metropolitana, onde Dom Odilo presidirá Missa. Para motivar a participação consciente neste momento importante da Igreja, o cardeal enviou uma carta a todos os leigos e suas organizações eclesiais.

Na carta, Dom Odilo recorda que “ao longo deste ano, todos nós fomos encorajados a reavivar nossa fé cristã católica”. O arcebispo também lembra alguns dos objetivos propostos pelo Ano da Fé, como “aprofundar a experiência da fé mediante o renovado encontro pessoal e comunitário com Deus; fortalecer as raízes da nossa fé, mediante a instrução e o estudo das razões que temos para crer e dos conteúdos da nossa fé; testemunhar nossa fé publicamente; renovar a profissão de nossa fé e praticar as obras da fé”.

O ano da Fé teve início em 11 de outubro de 2012 e teve como objetivo comemorar o 50º aniversário do Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965). Na Carta Apostólica Porta Fidel (A Porta da Fé), o Papa Emérito Bento XVI convocou toda a Igreja a promover o Ano da Fé e convidou os católicos a vivê-la intensamente.
(CM)

Igreja no Brasil celebra o Dia Nacional dos Leigos

Brasília (RV) - Celebra-se no domingo, 24 de novembro, o Dia Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas.

Por ocasião da data, o Bispo de Caçador (SC), Dom Frei Severino Clasen, Presidente da Comissão Episcopal para o Laicato da CNBB, envia uma mensagem aos leigos.

“Saudamos e cumprimentamos os milhões de leigos e leigas que se dedicam à evangelização; são infinitamente a maioria absoluta que anunciam o Cristo Rei através da catequese, da liturgia, da coordenação de grupos, das pastorais, dos movimentos, associações, novas comunidades…”, destacou o bispo.

Leia o texto na íntegra:

Mensagem para o Dia Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas

Saúdo todos os leigos e leigas do Brasil pelo seu dia na festa de Cristo Rei!

Viva Cristo Rei!

Todas as criaturas necessitam de um ambiente saudável para nascer, crescer e viver em paz. É preciso construir a casa para que se possa viver com dignidade como pessoa humana, desde o momento em que tem início a existência, pois, já carrega a imagem de Cristo.

Jesus Cristo é proclamado Rei do Universo no último domingo litúrgico do ano. Ele tem um Reino para nós. Pela graça do Batismo, somos filiados à Igreja. Como mãe, a Igreja oferece as condições espirituais e humanas para que a vida seja de fato vista como dom e riqueza imensurável. Portanto, cada criatura humana carrega dentro de si o grande sinal de Deus Uno e Trino. A festa de Cristo Rei é para todos os batizados. Lembramos nesse dia especialmente os leigos e leigas.

A Comissão Episcopal de Pastoral para o Laicato, ao saudar os leigos e leigas, convoca-os para trabalhar na messe do Senhor e construir o Reino de paz e de justiça. O nosso espaço, o lugar onde vivemos, deve se tornar um sinal do Reino definitivo anunciado por Jesus Cristo. Por isso, são chamados para contribuir na evangelização. Saudamos e cumprimentamos os milhões de leigos e leigas que se dedicam à evangelização; são infinitamente a maioria absoluta que anunciam o Cristo Rei através da catequese, da liturgia, da coordenação de grupos, das pastorais, dos movimentos, associações, novas comunidades, CEBs, dos conselhos de leigos e da presença nos diferentes espaços da sociedade como na cultura, na economia, no mundo do trabalho, nas artes, na família, na política, na vida profissional, na educação, nos meios de comunicação, dentre outros. Reconhecemos que a maioria dos agentes de evangelização são as mulheres.

O trabalho humilde, simples, cotidiano, constante, sereno, fecundo das mulheres é a beleza gigantesca no anúncio do Reino de Deus. Que os homens também se sintam participantes nessa tarefa divina e santa, pois temos tantos homens espalhados pelo mundo afora se dedicando no anúncio do Evangelho e sua justiça. Que na festa de Cristo Rei, dia do leigo, saibamos valorizar todos os que são partícipes da gloriosa vinda de Cristo e com Ele, possamos construir o Reino definitivo.

No ano de 2014, teremos muitas oportunidades para aprofundar a reflexão sobre a missão e o ministério dos leigos. Está na hora de somarmos forças para equilibrar as relações no mundo todo, que nenhum filho de Deus, passe fome, se perca no crime e seja recolhido em prisões, mas que tenha saúde, educação, espaço para o lazer, trabalho digno, moradia; esse é o Reino que ainda deve ser construído, e a força do Evangelho nos proporciona e nos condiciona para tanto. Como afirma do Documento de Aparecida os leigos e leigas são chamados a ser construtores do Reino. É uma questão de decisão, de participação e de iniciativa criativa e inspirada pela força de Deus Pai, Filho e Espírito Santo.
Que a fé, aumentada e professada neste Ano da Fé, seja a força motora em cada cristão para ser instrumento de paz em toda parte.
Que o modelo de vida de família, testemunhada por Jesus, Maria e José, encoraje os leigos e leigas para serem discípulos missionários do Reino de Deus.
Fraternalmente,
Dom Frei Severino Clasen
Bispo de Caçador – SC
Presidente da Comissão Episcopal para o Laicato

 

Igreja na América Latina

 

México: apelo contra a violência

Morelia (RV) - Um apelo à população para que esteja atenta ao crescente número de episódios de violência nas ruas chegou à agência Fides enviado pelo Arcebispo da Diocese mexicana de Morelia, Dom Alberto Suárez Inda que participa dos trabalhos da IX Assembleia diocesana de Pastoral em curso no Seminário Menor daquela cidade.

De fato, nos últimos dias aumentaram os conflitos entre a coalizão de grupos de autodefesa cidadã Tepalcatepec e Tacámbaro, e membros de gangues criminosas dos Cavaleiros Templários na região da Terra Caliente. Dois os mortos e oito os feridos, mas nas últimas semanas, sempre por causa de distúrbios deste tipo, foram registradas três mortes em Arguililla, nove em Pareo e uma em Zirimbo, bem como várias mulheres seqüestradas em Tancítaro.

“Se conseguirmos construir a confiança nas famílias, então se poderá reverter esse movimento de violência que, infelizmente, está presente em quase todas as cidades de Michoacán”, afirmou o prelado. (SP)

Venezuela: “Anunciar o Evangelho num ambiente multicultural”. Está próxima abertura do CAM 4 e do COMLA 9 na Venezuela

Maracaibo (RV) – “Como anunciar o Evangelho e testemunhá-lo hoje, num mundo em transformação, um mundo multicultural e secularizado?”. Para responder a estas questões, mais de 4 mil pessoas estarão reunidas no IV Congresso Missionário Americano (CAM 4) e IX Congresso Missionário Latino-americano (COMLA 9), que será aberto em Maracaibo, Venezuela, em 26 de novembro.

Muitos grupos e delegações de missionários e de agentes de pastoral de todo o continente já estão a caminho. O Diretor Nacional das Pontifícias Obras Missionárias (POM) na Venezuela, Padre Andrea Bignotti, IMC, escreveu na mensagem que acompanha o programa do encontro: “Devemos prepararmo-nos para viver em um estado permanente de missão, deixar de lado as preocupações imediatas e elevar o olhar para além das fronteiras, viver plenamente o nosso chamado à missão, devemos ser profetas para as missões neste mundo que se transforma”.

O CAM 4 será aberto na tarde de 26 de novembro, na Basílica de Chinquinquirá, numa cerimônia que será presidida pelo enviado especial do Papa Francisco, o Cardeal Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos.

No dia 27, o teólogo argentino e Docente do Instituto Latino-americano de Missiologia da Universidade Católica Boliviana (UCB), Lucas Cerviño (especialista na área intercultural e no diálogo religião-cultura), proferirá a conferência “O anúncio de Jesus Cristo no mundo de hoje, um mundo multicultural e secularizado”.

A segunda conferência será proferida pelo Bispo Auxiliar de Manágua e Secretário Geral da Conferência Episcopal Nicaragüense, Dom Silvio Baèz e terá como tema “A Palavra de Deus, fonte de significado para o mundo atual”. Na parte da tarde, serão realizados fóruns temáticos.

No dia 28, será proferida a terceira conferência com o tema “A urgência da missão no contexto da Nova Evangelização e da Missão Ad gentes”, a ser proferida pelo sacerdote salesiano e Vigário Provincial dos Salesianos na Venezuela, Padre Raul Biord Castillo. A quarta conferência, “Para uma Igreja americana em estado permanente de missão”, será proferida pela colombiana Dra. Consuelo Vélez, Teóloga e Docente da Pontifícia Universidade Javeriana e pelo brasileiro Irmão Israel Neri.

O dia 29 de novembro será dedicado aos testemunhos e à troca de experiências. No sábado dia 30 será celebrado o Dia Missionário em todas as paróquias da cidade, com a presença dos participantes do CAM 4. No final do dia, o encerramento do encontro na Basílica Nossa Senhora de Chinquinquirá, com o envio missionário. (JE)

Igreja no Mundo

 

Cardeal Maradiaga: “O desenvolvimento deve ser humano e sustentável”

Verona (RV) - O Arcebispo de Tegucigalpa, Honduras, Cardeal Oscar Andrés Rodriguez Maradiaga, Presidente da Caritas Internacional, fez um pronunciamento nesta quinta-feira, no 3° Festival de Doutrina Social da Igreja em andamento na cidade italiana de Verona, até o próximo domingo, sobre o tema “Menos desigualdades, mais diferenças”.

Depois da videomensagem do Papa Francisco, o purpurado tomou a palavra e disse que “o Fundo Monetário Internacional afirma que o desenvolvimento é sustentável baseado em cifras econômicas, mas o ser humano não é uma cifra”. Segundo o Cardeal Maradiaga, “o desenvolvimento não significa apenas crescimento econômico, mas responder ao pedido de uma vida digna para cada pessoa em qualquer lugar”.

Segundo o purpurado, é preciso realizar aquela justiça social que responde a três valores irrenunciáveis para a pessoa humana: manutenção da vida, estima e liberdade. “Nessa perspectiva a Doutrina Social da Igreja recorda que a justiça social se realiza considerando a dimensão estrutural dos problemas e trabalhando para a sua solução que deve vir de uma forte e permanente ligação entre dimensão ética e dimensão técnica da economia”, disse ainda o Presidente da Caritas Internacional.

Sobre a ação da Igreja, o Cardeal afirmou que o grande desafio é evangelizar o desenvolvimento humano. “Para concretizar esse compromisso, as associações são fundamentais e sua presença no festival é um sinal eloqüente da responsabilidade que elas assumem hoje na sociedade”, destacou.

A propósito da complementaridade entre ética e economia, o purpurado sublinhou a exigência de “reafirmar que a moral é parte constitutiva da vida econômica e não basta que cresça o PIB (Produto Interno Bruto), fundamentado nas cifras”.

“O desenvolvimento não pode ser somente sustentável, mas deve ser humano e sustentável. Somente um desenvolvimento humano sustentável e equitativo garante o progresso dos povos e o crescimento humano da pessoa”, concluiu o Cardeal Maradiaga. (MJ)

 

Inglaterra: Arcebispo de Cantuária comenta decisão do Sínodo que abre caminho para ordenação episcopal feminina

Londres (RV) - “A votação esmagadora revela o desejo generalizado de avançar na questão da ordenação de mulheres bispos”. Com estas palavras o Arcebispo de Cantuária, Justin Welby, comentou a decisão do Sínodo Geral da Igreja da Inglaterra. Na última quarta-feira (20), a comunidade anglicana no Reino Unido, com 378 votos favoráveis, 8 contrários e 28 abstenções, aprovou um documento que abre caminho para a ordenação episcopal feminina em 2015. A aprovação final sobre uma proposta de revisão do estatuto, segundo anunciado, poderia acontecer no final de 2014, por ocasião do próximo Sínodo.

“Existe ainda um longo caminho a ser percorrido, mas podemos ser cautelosamente confiantes nos bons progressos”, explicou Justin Welby. “O tom do debate – recordou o Arcebispo anglicano – foi surpreendentemente quente e amigável. Experimentamos uma grande gratidão pelo Comitê que trabalhou no esboço da nova legislação e por aqueles que facilitaram eficazmente as reuniões”.

Dos debates, saiu também a indicação para um maior empenho com o objetivo de manter viva a comunidade anglicana no Reino Unido. Foi este o apelo lançado à margem dos trabalhos sinodais pelo ex-Arcebispo de Cantuária, Lord George Carey, no cargo até 2002. Comentando os trabalhos do Sínodo realizado nos últimos dias, Dom Garey enfatizou a necessidade em investir, sobretudo nos jovens, para conservar e aumentar o número de fiéis.

Na ausência de medidas – observou Lord Garey – a comunidade anglicana estaria destinada a extinguir-se “no curso de uma geração”. O prelado aludiu, em particular, o risco de que o clero seja esmagado por “um sentimento de derrota” em face de novos desafios.

A fazer eco às palavras de Lord Carey, foram as palavras do Arcebispo de York, John Sentamu Dirigindo-se ao Sínodo, o Arcebispo afirmou que existe somente uma alternativa; “evangelizar ou fossilizar-se”. O prelado auspiciou que o clero adote um novo comportamento missionário e evite as discussões, definidas por ele como “uma tentativa de mudar os móveis de lugar enquanto a casa está em chamas”. Ao concluir, exortou o compromisso por uma nova campanha de “re-evangelização no Reino Unido”. O Arcebispo falou também sobre o tema do crescente mal-estar social no país. “A comunidade anglicana – observou – está na linha de frente na luta contra a pobreza”. (JE)

Seminário internacional debaterá perseguições religiosas

Roma (RV) - “Cristianismo e Liberdade: Perspectivas históricas e contemporâneas” é o tema do Seminário internacional promovido pela “Georgetown University” a ser realizado nos dias 13 e 14 de dezembro de 2013, na Pontifícia Universidade Urbaniana, em Roma. O objetivo do encontro é o de ilustrar a contribuição que o cristianismo deu na defesa e na expansão das liberdades fundamentais, assim como discutir os êxitos e as perspectivas da atual explosão das perseguições religiosas no âmbito das dinâmicas globais de desenvolvimento político, econômico e social.

O seminário oferecerá uma chave de leitura para a grave situação da perseguição aos cristãos no mundo denunciada pelo Papa Francisco também no Angelus do último domingo (17), na Praça São Pedro: “Pensemos aos tantos irmãos e irmãs cristãos que sofrem perseguições por causa de sua fé. Existem tantos. Talvez mais do que nos primeiros séculos. Jesus está com eles. E também nós estamos unidos a eles com a nossa oração e o nosso afeto; temos admiração pela sua coragem e pelo seu testemunho”.

O Seminário será aberto no dia 13 de dezembro às 9h30min pelo ex-Diretor do ‘Escritório para a Liberdade Religiosa Internacional’, do Departamento de Estado estadunidense. Diversos especialistas no tema proferirão conferências, sempre seguidas de debates.

Para o primeiro dia estão programadas as conferências e debates: “Porque devemos dizer-nos cristãos (mesmo se não o somos)!”, “Os fatos terríveis: o que está acontecendo aos cristãos no mundo?”, “Os primeiros mil anos: os contatos iniciais do cristianismo como as idéias de liberdade (como perseguido e como perseguidor)”, “A visão cristã da dignidade, da escravidão, do proselitismo e da democracia”, “A liberdade religiosa na fossa dos leões?”, “Deus e a liberdade: raízes bíblicas das idéias ocidentais de liberdade”.

No segundo dia do encontro, em 14 de dezembro, será aprofundado o tema do papel da mulher no âmbito das dinâmicas de desenvolvimento social global, na conferência “Entre os cristãos mais vulneráveis: responsabilizar as mulheres e os pobres nas sociedades em via de desenvolvimento”. Após, várias discussões temáticas dedicadas à situação da tutela e dos desafios atuais que estão ameaçando a liberdade religiosa nos vários e particulares contextos regionais.

Neste sentido, a situação dos cristãos na Ásia estará ao centro dos primeiros debates dedicados ao “Cristianismo e liberdade na Ásia”. Após, será analisada a situação na Europa e na América com uma mesa redonda intitulada “A Europa ou a América existiriam sem o cristianismo?”. (JE)

Crise em Moçambique preocupa Bispos da África Austral

Gaborone (RV) – A crise em Moçambique esteve no centro de um encontro da organização dos Bispos da África Austral (Imbisa), que se realizou nos dias passados em Gaborone, capital de Botsuana.

“Estamos acompanhando com ânsia crescente os fatos que se verificam em Moçambique. Parece que as armas querem substituir a voz do diálogo”, escrevem os Bispos, representantes de África do Sul, Angola, Botsuana, Lesoto, Moçambique, Namíbia, São Tomé e Príncipe, Suazilândia e Zimbábue.

“O progresso e a estabilidade de Moçambique – destacam os Bispos – são cruciais para que os nossos países possam consolidar seu desenvolvimento; por isso, pedimos aos nossos governos que unam sua voz à do povo moçambicano, que pede o fim de toda violência e aumente os esforços pelo diálogo, de modo a contribuir a criar as condições para isso ocorra e para afastar a possibilidade de uma intervenção militar.”

A crise em Moçambique começou com o ataque do Governo à base militar do maior partido da oposição, a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO).

A mensagem da Imbisa foi divulgada poucas horas depois das eleições administrativas realizadas em 53 prefeituras do país, cujo voto foi boicotado pela RENAMO, que pede uma reforma da comissão eleitoral.
(BF)

 

Formação

 

Encerrando o Ano da Fé

Belo Horizonte (RV) - Com a celebração da Festa de Cristo Rei do Universo, neste domingo, dia 23, a Igreja Católica no mundo inteiro se une, de maneira especial, ao Papa Francisco, no encerramento do Ano da Fé. O Papa emérito Bento XVI foi quem convocou a vivência do Ano da Fé, iniciado em 11 de outubro de 2012, quando se celebrava o cinquentenário da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II. Uma data relevante para a vida e missão da Igreja na sua tarefa de fazer de todos discípulos e discípulas de Jesus. O grande propósito deste Ano da Fé foi exatamente a oportunidade para um aprofundamento, compreensão e vivência da fé como experiência de encontro pessoal com Jesus, única pessoa que pode dar à vida, de maneira duradoura, um novo horizonte e, com isto, como afirmou o Papa Bento XVI, na sua Carta Encíclica Deus é Amor, uma direção decisiva.

Nessa oportunidade oferecida, como necessidade permanente, está a importância de apropriações conceituais fundamentais que norteiam a vida de modo diferente, qualificando-a a partir de sua compreensão como dom de Deus. É claro que a fé não é uma simples apropriação de conceitos. A importância deles na vivência do dom da fé se define pela luz própria que a razão indispensavelmente traz para que a pessoa avance na direção da verdade que liberta completamente. O bem-aventurado João Paulo II, na sua Carta Encíclica sobre a Fé e a Razão, introduz esta temática sublinhando que “a fé e a razão são como duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade”. João Paulo II completa lembrando-nos que “foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de conhecer a Ele, para que o conhecendo e amando-o, possa também chegar à verdade plena sobre si”.

A razão é uma alavanca decisiva no caminho da vida humana, na vivência da história, na construção da sociedade. É convincente e fácil de perceber, analisando a história, que os descompassos da humanidade vieram das irracionalidades. Basta pensar sobre guerras, exclusão social, manipulações e totalitarismos. Determinante também é o dom da fé. Sua profunda compreensão e sua vivência qualificam a cultura, corrigem os rumos da história e iluminam o caminho da humanidade, proporcionando a experiência de sentido que faz a vida valer a pena, ser construída com dignidades e altruísmos insuperáveis.

O dom da fé é uma experiência que avança para além da razão, na sua notável propriedade de alcançar lucidez para encontrar soluções. A luz da fé permite lidar com questões que estão inevitável e inexoravelmente no horizonte da existência humana: “Quem sou eu? De onde venho e para onde vou? Por que existe o mal? O que existirá depois desta vida?” Somente a fé permite lidar com o mistério que estas interrogações tocam, proporcionando uma compreensão coerente. Esta consideração convence de que a fé não se reduz a simples sentimento. Também não pode ser compreendida como um caminho que simplesmente traz soluções imediatistas, para desgastes existenciais comuns na contemporaneidade. Menos ainda deve ser buscada como produção de experiências milagreiras, promessa de mesquinhas prosperidades e clamorosas manipulações, advindas do usufruto irracional das fragilidades humanas.

O ano especial que se encerra no próximo domingo reforça a importância de se viver a fé como dom. Concretamente, vale prestar atenção, analisar e avaliar, como exemplo, o grande patrimônio de trezentos anos da cultura mineira. Nele se pode constatar convictamente o papel decisivo e qualificador da fé cristã, particular e reconhecida referência à fé cristã católica, gerando um conjunto cultural, histórico, artístico e religioso que abrange toda a Minas Gerais. Este Ano da Fé, relembra o Papa Francisco, na sua primeira Carta Encíclica, permitiu viver, cotidianamente, o empenho para recuperar o caráter de luz que é próprio da fé. O Papa lembra que quando esta luminosidade se apaga, todas as outras luzes acabam por perder o seu vigor. A fé é o caminho para o amor, que verdadeiramente transforma a vida. É hora de investir na vivência autêntica, profética e comprometida da fé, na cultura da paz, apelo e meta no encerramento deste ano especial.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Jornalista Vital e o Papa Francisco

Cidade do Vaticano (RV) - Papa Francisco é um homem que vive o que prega. Da escolha de seu nome aos últimos pronunciamentos tem chamado a atenção da Igreja para o pobres, para os mais necessitados, para os últimos, descartos por uma sociedade cada vez mais opulenta. Mais eloquente que suas palavras, são os gestos de acolhimento aos menos favorecidos. Nas audiências das quartas-feiras, ao cumprimentar as pessoas, o Papa sempre se detém diante dos enfermos, dos que sofrem, para transmitir o seu afeto o seu carinho.

Nos dias passados visitou a Rádio Vaticano o jornalista J.D. Vital, de Belo Horizonte, autor do livro, “Como se faz um bispo”. Ele também esteve presente na Santa Missa presidida pelo Santo Padre na Casa Santa Marta. Nós conversamos com ele e pedimos como ele vê esses primeiros meses de pontificado do Papa Francisco. (SP)

Atualidades

 

Nova Iorque: José Graziano inaugura Ano da Agricultura Familiar

Nova Iorque (RV) - Tem início nesta sexta-feira, dia 22, o Ano Internacional da Agricultura Familiar, promovido pelas Nações Unidas.

Na Audiência Geral desta quarta-feira, o Papa Francisco sublinhou os benefícios que a família oferece ao crescimento econômico, social, cultural e moral de toda a comunidade humana.

Sobre os problemas e as expectativas das famílias e das comunidades rurais, que inspiraram esta iniciativa, a Rádio Vaticano entrevistou o Secretário-Geral da Associação Católica Rural Internacional (ICRA), Vincenzo Conso:

“A agricultura familiar poderia ajudar a aumentar a produção agrícola de maneira sustentável. Portanto, neste sentido poderia produzir mais comida e mais trabalho, principalmente onde há mais necessidade. Todavia, os problemas são diferentes segundo as várias áreas do planeta. Há, por exemplo, o problema de acesso ao crédito, de favorecer a instrução na família rural; há o problema da distribuição dos produtos, porque em alguns países as famílias rurais são penalizadas também na comercialização, e há o problema de cooperar e constituir cooperativas.”

A inauguração deste ano será feita na sede central da ONU, em Nova Iorque, pelo Diretor-Geral da Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva (foto). Estará presente também o Ministro brasileiro do Desenvolvimento Agrícola, Gilberto José Spier Vargas.
(BF)

 

Filipinas: ainda grave a emergência

Roma (RV) - É ainda muito grave a emergência nas Filipinas, onde, de acordo com a última estimativa do governo, o tufão Hayan atingiu pelo menos 10 milhões de pessoas, causando a morte de 4 mil delas. Pelo menos 400 mil pessoas perderam suas casas e se encontram agora alojadas em centros de abrigos e mais de 4 milhões, ao invés, encontraram refúgios nas casas de amigos e parentes.

Entre os testemunhos que chegam à agência Fides, está o da religiosa das Missionárias da Esperança, de Cebu, Irmã Maria Joaquim, que conta como a Igreja toda se mobilizou e como é reconfortante ver tantos atos de solidariedade. Ao mesmo tempo, no entanto, denunciou o desperdício dos “veículos de emergência carregados com ajudas distribuídas apenas a metade” e a difícil situação de alguns lugares, como nos arredores de Tacloban, onde vivem pelo menos 9.500 famílias que continuam isoladas.

De acordo com a religiosa, que convida todos a rezarem pela população filipina, “é necessário valorizar ainda mais a presença das congregações religiosas masculinas e femininas que vivem nas áreas onde se registram as emergências. “Creio, – afirma -, que principalmente os religiosos, com seu voto de pobreza, e sua dedicação a Cristo, conseguiriam chegar de forma mais eficaz aos mais necessitados e os ajudariam a enfrentar as muitas dificuldades”.

Um exemplo positivo do que foi expresso pela religiosa está se verificando em algumas áreas remotas, como a cidade de San Remigio, na ilha de Bantayan, onde uma delegação da Comunidade de Santo Egídio, proveniente de Hong Kong, junto com alguns membros que residem em Cebu, levou três caminhões carregados de alimentos e água potável que foram entregues ao pároco local.

“O que impressiona – disse à Fides Pe. Paolo Cristiano, sacerdote da Comunidade de Santo Egídio, que acompanha as realidades asiáticas – são a dignidade e a compostura do povo filipino em enfrentar esse drama”. Em San Remigio entre os cerca de 11.500 habitantes, 90% ficou sem casa, e a igreja de São João Nepomuceno ficou destruída. “Nosso objetivo é dar um sinal tangível de solidariedade – disse o sacerdote -, mas também é necessário dar apoio através da oração”. (SP)

 

Acolher o outro: líderes religiosos mundiais reunidos em Viena

Viena (RV) – Cerca de 600 líderes representantes de várias tradições religiosas estão reunidos em Viena, na Áustria, para a IX Assembleia mundial de “Religions for Peace”. O tema desta edição é “Acolher o outro”.

A abertura foi feita na quarta-feira com uma mensagem do Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban-ki Moon, que destacou a importância do empenho das religiões pelos Direitos Humanos.

“O poder das religiões de promover a reconciliação através do perdão pode favorecer de modo significativo o nosso trabalho para enfrentar as causas profundas dos conflitos e alcançar uma paz duradoura”, escreveu Ban-ki Moon. O Secretário-Geral da ONU garantiu o apoio das Nações Unidas para todos os esforços finalizados a “melhorar a compreensão entre as culturas e as religiões”.

Representando a Igreja Católica, participam o Arcebispo nigeriano de Abuja, Card. John Onaiyekan, e a Presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce. Também estão presentes o Secretário-Geral do Conselho Mundial de Igrejas, o Pastor luterano Olav Fykse Tveit, e o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I.

Durante a Assembleia, que se encerra esta sexta-feira, houve sessões plenárias sobre a prevenção de conflitos e os processos de reconciliação, a proteção das minorias religiosas, as migrações e a luta à pobreza.
Rádio Vaticano 2013

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