Dai razões …

Dai razões …

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“ …estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir.” (1Pe,13)

- Cara, quando me falavam a respeito de ter fé, de conhecer a minha religião, de saber das coisas da igreja ou da Igreja, nem dava importância.

- Sei disso, meu. Passei dias assim também. Mas posso dizer que comigo foi uma mistura de interesses sem muito peso, mas com o tempo passando…

Eu fiz a catequese, sabe. E fiz no tempo em que catequese era bem puxada. Tinha sete aninhos. Cara! Como faz tempo! Como mudou tudo! Como estão as coisas diferentes!… E eu já acordei faz tempo para esta nova forma de ver a mesma fé, aquela que a Dona Mariquinha se esforçou, no jeito dela, para que eu levasse a sério – e eu acho  que acabei entendendo a minha doce velhinha.

Mas, cara, voltando ao tal “ dar razão da vossa esperança”: como está difícil! Confesso, cada dia a coisa fica pior, digo, fica brabo! Aquela tal fé que a gente sentia dentro do coração, aquela coisa gostosa que aparecia dentro da gente, uma mistura de conforto com vontade de sair pelo mundo berrando felicidade, aquele jeito maroto de se sentir acolhido, aquela sensação de que todos os pensamentos poderiam ser convertidos numa só direção, aquilo tudo que sentia quando pensava em Deus, em Jesus, em Maria, em coisas de religião…Foi-se esboroando, desfazendo. Apareceu,  na minha frente a dura hora de “dar razões” do que eu cria, esperava, do que eu pregava, do que eu sustentava no meio daquele paraíso doce… e, o tempo não perdoou. Não deixou esticar a felicidade sem “razões” claras, inteligíveis, candentes e atuais da fé que se exigia madura e concreta no viver de cada dia, no se repetir de responsabilidades, de atividades, de afazeres tantos. E foram muitos os anos, cobrando, desgastando, amadurecendo, acumulando respostas, atitudes, convicções, e penosas  certezas, profundas verdades engolidas com sacrifícios, com doses brutas de paciência, de azedos ajustes na caminhada, na pilotagem de tantos e tantos passos da caminhada até aqui.

Cara, foi uma barra “dar as razões da esperança”  a tantos que ma pediram de tantas formas diferentes. E tantas vezes tais “razões”.

Cara, tu podes me contar um pouco disso, sei que podes. Fico esperando. Quero conhecer estas “razões” que te movem e te moveram. Podes contar?

Postado por Dorival Leite em 28/05/2011

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